sábado, 26 de fevereiro de 2011

No momento, estamos todos buscando a sobrevivência.


No momento, estamos todos buscando a sobrevivência. Nada restou da velocidade que abasteceu os anos 60. Os estimulantes estão saindo de moda. Esse foi o defeito fatal na viagem de Tim Leary. Ele cruzou os Estados Unidos vendendo a “expansão da consciência” sem parar para pensar nas realidades sinistras e dolorosas à espera das pessoas que o levaram a sério demais. Depois de West Point e do Sacerdócio, para ele o LSD deve ter parecido completamente lógico... Mas não fico exatamente satisfeito ao saber que ele se deu muito mal, porque acabou levando muitos outros consigo.
Não que isso tenha sido injusto: sem dúvida eles Tiveram o que Mereciam. Todos aqueles usuários de ácido pateticamente entusiasmados, achando que poderiam comprar Paz e Compreensão por três dólares a dose. Mas sua perda e seu fracasso também são nossos. Em sua derrocada, Leary levou consigo a ilusão central de todo um estilo de vida que ele mesmo ajudou a criar... uma geração de mutilados permanentes, perseguidores fracassados, que nunca compreenderam a falácia mística essencial da Cultura do Ácido: o pressuposto desesperado de que alguém – ou ao menos alguma força – está cultivando a Luz no fim do túnel.

É a mesma bobagem cruel e paradoxalmente benévola que sustentou a Igreja Católica por tantos séculos. É também a ética militar... uma fé cega em alguma “autoridade” superior e mais sábia. O Papa, O General, O Primeiro-Ministro... até chegar a “Deus”.

(trecho de “Medo e Delírio em Las Vegas” de Hunter S. Thompson)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Palhão cultural não chapa

Por dentro do maconheiro
"Antes de 1900, já se contavam quase quatrocentos textos sobre a cannabis. Em nosso século esta cifra chegou a duplicar e ultrapassou os quatro mil. Significativamente, metade dos títulos foi impressa após a descoberta do THC, na década de sessenta, quando de fato se iniciou a pesquisa sobre a maria. O tempo decorrido desde então é muito curto para haver certeza sobre as conseqüências físicas, psicológicas e sociais do uso. Basta pensar que foi necessário um prazo de três vezes maior para se atingirem resultados seguros quanto aos malefícios do tabagismo - que, no entanto, nunca se cercou da nebulosa político-ideológica que recobre a maconhice. Até hoje alguns estudiosos continuam asfixiados por tal camisa-de-força e defendem meras conjunturas com afirmações categóricas. Outros projetam sobre gente resultados de experimentos com bichos, quando, em relação a qualquer coisa que se absorva, as diferentes espécies reagem de maneira particular, Sabe-se, por exemplo, que o THC acelera nossos batimentos cardíacos, mas os retarda na maioria dos animais".

Cânhamo e espiritualidade
Terence McKenna atribui a plantas psicotrópicas como a cannabis muitas das qualidades que espiritualistas mais convencionais atribuem a Deus. McKenna, um cultivador de plantas xamanisticas e grande arauto da experiência psicodélica, teoriza que as plantas alucinógenas são o veículo de uma maciça transmissão de informação do reino vegetal para a espécie humana. Ele escreve: ‘A totalidade das funções que associamos à natureza humana, entre as quais a lembrança, a imaginação projetiva, a linguagem, a denominação, a fala mágica, a dança e o senso de religião, talvez tenha emergido da interação com plantas alucinógenas.’ Por mais intrigante que sua visão possa ser, não é preciso comprar as idéias de McKenna em bloco para retraçar uma parceria entre seres humanos e cânhamo que remonta já dez mil anos, quando o caçador-coletor do Velho Mundo fez a transição para a agricultura. Os estudiosos geralmente citam o cânhamo como um dos primeiros produtos agrícolas, mas o divulgador científico Carl Sagan sugere que seu uso para alterar a consciência pode ser ainda mais antigo. Em ‘Dragões do Eden’, Sagan observa que, segundo um amigo que visitou a tribo, os pigmeus, que são caçadores-coletores, se embriagam com maconha…


Fonte: Arquivos do blog Ponto de Vista.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

É só mais uma noite ruim



A solidão é amiga da loucura...
Sozinhas, são boas companheiras, mas
juntas são diabólicas
principalmente quando você está no
quarto, sozinho, quente e infestado de
malditos mosquitos escrotos.
Ai, você tenta se deitar... O tempo passa
e não consegue dormir
pensa no que fez de errado pra estar na
companhia das duas más influências...
às vezes não é culpa sua, é só má sorte
Logo você apaga... depois acorda...
E elas já foram embora, mas você já sabe –
elas sempre voltam em outra ocasião...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A imprensa diária

A imprensa diária é o princípio maléfico do mundo moderno, e o tempo servirá apenas para revelar esse fato com uma clareza cada vez maior. A capacidade que o jornal possui de degenerar é ilimitada e sofisticada, uma vez que o nível de seus leitores pode sempre cair mais e mais. No fim, ela incitará toda a escória da humanidade que nen...hum governo consegue controlar.

Sören Kierkegaard

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Como uma flor na chuva


Cortei a unha do dedo médio
da mão
direita
realmente curta
e comecei a correr o dedo ao longo de sua boceta
enquanto ela se sentava muito ereta na cama
espalhando uma loção por seus braços
face
e seios
depois do banho.
então acendeu um cigarro:
"não deixe que isso o desanime",
e seguiu fumando e esfregando a
loção.
continuei tocando sua boceta.
"quer uma maçã?", perguntei.
"claro", ela disse, "tem uma aí?"
mas eu lhe dei outra coisa...
ela começou a se contorcer
e depois rolou para um lado,
ela estava ficando molhada e aberta
como uma flor na chuva.
então ela se voltou sobre a barriga
e seu cu maravilhoso
olhou para mim
e eu passei minha mão por baixo e
cheguei outra vez na boceta.
ela se espichou e agarrou meu
pau, virando-se e se contorcendo toda,
penetrei-a
meu rosto mergulhando na massa
de cabelos ruivos que se alastrava feito enchente
de sua cabeça
e meu pau intumescido adentrou
o milagre.
mais tarde tiramos sarro da loção
e do cigarro e da maçã.
depois eu saí para comprar um pouco de frango
e camarão e batatas fritas e pão doce
e purê de batatas e molho e 
salada de repolho, e nós comemos. ela me disse
quão bem ela se sentia e eu lhe disse
o quão bem eu me sentia e nós comemos
o frango e o camarão e as batatas fritas e o pão doce
e o purê de batatas e o molho e
também a salada de repolho.

Charles Bukowski